O projeto potiguar Reforamar, que reconstrói casas de pessoas do RN em situação de vulnerabilidade social desde 2018, está concorrendo a um prêmio nacional promovido pela ONG “Razões Para Acreditar”, projeto que fortalece e divulga ações e histórias positivas. O Reforamar já reformou 20 casas e conta com pelo menos 300 voluntários de Natal e Grande Natal e é a única ação do Nordeste concorrendo na categoria “Projetos Sociais”. 
De acordo com Fernanda Silmara Silva, 26 anos, diretora-presidente da Reforamar, a indicação para estar entre os projetos concorrentes foi vista entre os voluntários com entusiasmo e a perspectiva é ganhar votos para que o projeto cresça em 2023.
“Esse projeto divulga ações do bem e descobriram o Reforamar e acharam nossa história. Fizeram uma vaquinha para fazermos algumas ações. Nesse ano eles nos indicaram para esse prêmio. Gostamos muito porque é um prêmio nacional e pode dar mais credibilidade ao projeto. Somos o único do Nordeste concorrendo”, explica.
O Reforamar surgiu em julho de 2018, fruto de um sonho de Fernanda, que atualmente é engenheira. Segundo a profissional, a ideia surgiu em virtude de experiências pessoais, pois cresceu em uma casa com problemas estruturais. Junto com o seu tio, Erivan Roque, fez reformas na sua casa utilizando recursos que recebia como bolsista, como aluna do IFRN.
Atualmente, o projeto está concluindo a reforma da casa de Kaliane Nunes, no bairro Lagoa Seca. A ação é especial, segundo Fernanda, porque Kaliane é uma das voluntárias do projeto desde as primeiras reformas.
“Essa é a 20ª casa que estamos reformando. É uma ação especial porque é de uma voluntária do projeto, que está conosco há dois anos. Ela nunca nos deixava vir na casa dela, e certo dia um voluntário descobriu que ela morava numa casa insalubre. E mesmo assim, ela ia nas casas e ajudava nas reformas. Então quisemos ajudar, porque quem faz o bem também merece receber o bem”, explica a engenheira.
De acordo com a mãe de Kaliane, Joana D’Arc Nunes, 87 anos, a casa apresentava vários problemas antes da reforma, como pintura deteriorada, encanamento gasto, banheiro danificado, irregularidades elétricas, entre outras dificuldades. A reforma deverá ser concluída no dia 17 de dezembro.
“Está dando certo demais, estou muito feliz. Era o que eu mais queria era uma reforma nessa casa. Tinha infiltração, banheiro cheio de dificuldades”, explica. Joana mora com mais dois filhos e um neto na casa. No local, está desde os 14 anos de idade. “Não vejo a hora de terminar para começar a morar e arrumar na casa nova”, lembra.
Votação
Para votar no projeto, os usuários precisam acessar o site https://premiorazoes.com/public/, na categoria Projetos Sociais, clicar no nome Reforamar, aperta votar, preenche as informações solicitadas e clicar em enviar. É possível votar quantas vezes quiser.
Ampliação
O Reforamar não conta com apoio governamental nem de entidades religiosas, segundo a diretora presidente Fernanda Silmara. O apoio, segundo ela, são de voluntários e campanhas feitas nas redes sociais para angariar fundos para as reformas. Algumas empresas da capital potiguar, segundo ela, auxiliam com materiais de construção. 
“O que faz o projeto acontecer são voluntários que colocam a mão na massa e conseguimos recursos e materiais com doações, como móveis, restos de obras, e empresas que ajudam também. Conseguimos dessa forma”, cita a engenheira Fernanda Silva.
Para ser atendido pelo projeto, as pessoas precisam estar em situação de vulnerabilidade social e passam por uma triagem feita pela equipe social do Reforamar. Feito isso, a equipe técnica faz projetos, orçamentos e apresentam ao contemplado, que aprova o projeto. A expectativa do projeto, com a indicação ao prêmio nacional, é ampliar o número de potiguares atendidos e estender a ação para todo o RN. “Nossa meta é atuar em todo o Estado. Nossa média p é de 5 ações por ano e queremos pelo menos duplicar para 2023”, explica.
Contando com pelo menos 300 voluntários, que vão desde pedreiros, marceneiros e outras funcionalidades, o projeto reúne potiguares que querem fazer o bem ao próximo e ajudar na construção de um lar de dignidade.
“Achei importante e bonito, então resolvi me doar ao projeto, eu e minha esposa. Trabalho com muito amor. Vejo pessoas tão carentes que precisam de ajuda, então resolvi ajudar Fernanda e todos os voluntários”, explica o autônomo de Parnamirim, Evandro Oliveira da Silva, 64 anos. Ele participa do projeto ao lado da esposa, Maria Oliveira, com seu carro e faz frete de equipamentos e materiais sem custo.
Projeto humaniza espaços em Natal
A arquiteta Mara Lorena Lopes, 36 anos, sempre sentia a necessidade de fazer uma ação social para seu trabalho e gerar impacto para o maior número de pessoas. “Sempre me preocupei com o mundo e transformar a nossa volta. Eu via médicos conseguindo atender, dentistas e barbeiros voluntários e arquiteto? Como podemos ser instrumento de transformação?”, lembra.
Com isso, Mara juntou suas duas sócias, Larissa Magalhães e Juliana Maia, e criou o projeto “Elos-Arquitetura Social”, em 2018. Entre as ações estão uma humanização no tomógrafo do Hospital Infantil Varela Santiago e uma reforma de 2.000 m² no Instituto Juvino Barreto.
“Fizemos uma mostra de mais de 15 dias, todos os dias tinha apresentação cultura, queríamos muito ser essa transformação no Juvino Barreto. Quem for lá hoje, vai ver tudo lá. Diferentemente das mostras, em que tudo é desmanchado, a nossa, depois que acabaram as mostras, tudo ficou como doação para a instituição”, lembra.
No Varela Santiago, reformado em 2019, ao todo, foram mais de 40 pessoas – entre artistas plásticos, arquitetos, engenheiros e designers – que participaram da reforma em 28 espaços do hospital. Foram transformadas paredes, que ganharam desenhos da fauna e flora brasileiras, além de corredores, brinquedoteca, consultórios, salas e até o tomógrafo.
Já no Instituto Juvino Barreto, Mara Lorena lembra que foram feitas ações em 37 espaços do instituto, como portaria, dormitórios, salas de dentista, terapia ocupacional, lojas, espaços comuns, entre outros. Os valores foram arrecadados com construtoras, que doaram mão de obra, além de empresas da capital. Outra instituição reformada foi o Lar Celeste Auta de Souza, em Macaíba, que abriga crianças carentes.
“Tivemos muitas dificuldades financeiras, porque entendemos que essa ação, por mais que tenhamos doação, tem itens que não conseguimos isso: não dá para pedir ao pintor que faça de graça se ele usa isso para sustentar a família dele. Tem itens que precisamos pagar. Para cada dificuldade, apareciam possibilidades. Arregaçamos as mangas e fomos atrás”, lembra.
Mara lembra ainda doações que marcaram os dois projetos. “Tivemos incontáveis doações, como um servente que no fim de expediente não tinha dinheiro, mas doava o trabalho. Teve o rapaz do dindin do Alecrim e passava lá para doar ao pessoal da obra”, cita. O projeto já tem perspectivas de novas reformas para 2023, em ações que já estão sendo analisadas.

